sábado, 11 de dezembro de 2010


Dezembro é mês de festas... de confraternizações.
Época em que estamos mais sensíveis, mais compreensivos, mais tolerantes, mais solidários, mais humanos...
Época também em que celebramos as conquistas e que lamentamos as perdas, ou seja, refletimos sobre os acontecimentos.
Este DEZEMBRO tem um sabor especial: a conquista de um sonho, um canudo da UFRGS. Foram nove semestres de muita aprendizagem. É claro que de muito cansaço, de inseguranças, de muita leitura, de muitas reflexões...
Ontem, 10 de dezembro, aconteceu... foi a defesa dO MEU TCC. A escrita dele durou um semestre, mas para a construção do mesmo, foram nove semestres. Cada um deles representou uma batalha vencida.
Impossível descrever meus sentimentos no momento da banca. É claro que estava imensamente feliz mas não posso dizer que não estava preocupada pois era muita aprendizagem para vinte minutos de explanação. Mas consegui condensar tudo no tempo estabelecido e é claro que sempre fica a sensação de não ter dito alguma coisa importante.
Quando encerrei, apesar do esforço para me concentrar na apresentação das colegas, lembrei de cada uma das bancas dos trabalhos finais dos semestres. Em cada uma delas além da sensação de alívio, a reponsabilidade aumentava. Na primeira o meu grande problema foi criar um Power Point, veja bem... Hoje dominando as tecnologias digitais ,minha grande preocupação foi defender a possibilidade de utilizar os problemas encontrados em sala de aula para criar estratégias de ensino. Que salto! É claro que contei com Freire, Tardiff e Maturana. Freire muito mais do que qualquer outro. Inclusive usei alguns ditos seus, encontrados na obra Pedagogia da Indignação, para ilustrar meu trabalho, trancrevo-as aqui.
"O futuro não nos faz. Nós é que nos refazemos na luta para fazê-lo. As crianças precisam crescer no exercício de pensar, de indagar-se e de indagar, de duvidar, de experimentar hipóteses de ação, de programar e de não apenas seguir os programas a elas, mais do que propostos, impostos. As crianças precisam ter assegurado o direito de aprender a decidir, o que se faz decidindo."

Chego ao final do curso de Pedagogia/PEAD/UFRGS, ciente de que hoje sou a soma de todas as aprendizagens que realizei, de que carrego um pouquinho de cada um dos filósofos, sociólogos, pedagogos, psicólogos, pensadores, dos tutores e professores. Me tornei uma profissional e um ser humano muito melhor. Mas tenho ciência do meu INACABAMENTO, sei que muito há para aprender e sei também que não me bastará essa existência somente. Haverá outras!
Concluo esta postagem com uma frase de Nelson Mandela, que me guiou durante o estágio obrigatório e em muitos momentos da minha vida, "Sempre parece impossível até que seja feito."

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Não sei...



Como relatei ontem, terminei o TCC!
Esqueci de deixar registrado nele um agradecimento: à equipe diretiva de minha escola. Durante todo este ano me deram muito apoio. Mas ainda há tempo, antes de imprimir eu faço essa alteração.
Quando cheguei na escola hoje pela manhã, minhas amiguinhas comentaram que eu devia estar aliviada por ter conseguido concluir o trabalho. Mas estranhamente eu não estava. Uma coisa é ter entregue, outra é saber que ele está bom. Pois bem, recebi retorno de meus orientadores: ESTÁ ÓTIMO, umas arrumadinhas nas referências/ABNT... e estará tudo pronto. Quer dizer, me preparar para a banca, apresentação!
Mas meio caminho já foi, falta um pouquinho mais. Agora sim já posso dizer que estou "parcialmente aliviada". Bom não é?
Melhor ainda porque eu não aguentava mais dialogar com tanta gente que já foi para o outro lado, Freire, Piaget, Vygotsky... povo maravilhoso, mas dialogar com... ideias?
Veja bem, até gracinha já estou conseguindo fazer, sinal que estou aliviada mesmo!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

TCC VERSÃO FINAL!

Hoje é a data limite para a postagem da última versão do TCC. Postei agora, uma hora atrás mais ou menos. É claro que antes de publicá-lo, fiz muitas alterações. E crítica do jeito que sou, parece-me que ainda ficou faltando algo, estou sendo boazinha: algo não, muita coisa. Vejo que não sou a única, todos os meus colegas estão assim.
Tenho muito a agradecer ao PEAD e sempre que tive oportunidade fiz isso mesmo. Mas penso que , em todos os cursos de graduação, desde o primeiro semestre deveria haver uma cadeira, ou no nosso caso uma interdisciplina, para iniciar o TCC. Sei que tivemos os portfólios em todos os semestres, as bancas de avaliação e isso foi de um auxílio enorme. Mas penso que ficou faltando algo. Chegamos ao nono semestre, sem saber o que, como, porque...
Achei estranho que no semestre passado tenha sido disponibilizado um guia do estágio curricular junto com o do Trabalho de Conclusão do Curso. Se tivesse concluído o quanto seria importante ser mais criteriosa ao elaborar o projeto que seria aplicado em minha turma, a necessidade de recolher dados mais precisos, relatos... pois eles seriam a base para a elaboração de meu TCC, eu teria economizado muitas preocupações. Não imaginava de forma alguma que O Trabalho de Conclusão seria elaborado "com e a partir do" Estágio. Imaginava e para isso coletava materiais, que este seria sobre um assunto determinado, discutido durante o curso e que eu percebesse ser muito importante.
Seja como for, elaborei-o. Meu TCC está pronto ou será que não?
Acho que meu desgaste foi maior, porque ainda tenho a preocupação com as duas eletivas que estou cursando, devido a necessidade das horas complementares.
Mas voltando ao assunto TCC, a banca ainda não sei.
O que sei é que falta pouco... Tenho certeza que no início sentirei um grande alívio. E depois? Não sei, vou esperar para ver!

sábado, 13 de novembro de 2010

Nunca refleti tanto!


Revendo as postagens que fiz, no semestre passado, uma em especial chamou minha atenção: Coincidências... . Em certa altura deste meu escrito relato que ao realizar o estágio obrigatório do Curso de Magistério, me senti. Ter obtido resultados tão bons ao finalizá-lo, fez com que eu pensasse que as aprendizagens realizadas até aquele momento me eram suficientes para desenvolver um ótimo trabalho em qualquer turma que viesse a trabalhar. E por um tempo foi mesmo pois o curso que fiz era muito bem conceituado e quando ingressei no mercado de trabalho, uma escola particular, carregava comigo aprendizagens recentes e muitas ideias para serem colocadas em prática. Obviamente, que tive que usar o bom senso e conquistar aos poucos meu espaço para somente depois, com muito tato expor minhas ideias e sugestões. Afinal tratava-se de uma escola particular, com concepções tradicionais e uma equipe de trabalho bastante afinada.
Muitos anos depois, ao surgir a oportunidade de ingresso no PEAD, não titubeei: precisava fazer uma graduação. Mas meu objetivo não era o de adquirir conhecimento, realizar aprendizagens. Preciso confessar: acreditava, na época, que a prática compensaria qualquer necessidade minha que surgisse. Sendo assim, a necessidade de uma graduação superior significava aumento de salário e uma massagem na auto estima.
Não é preciso relatar que estava enganada, isso eu já fiz em outras postagens, o que preciso colocar é que estar a poucos passos de concluir essa etapa da minha vida está provocando uma série de sentimentos contraditórios: alívio, alegria e consternação.
Ontem, ouvi de uma amiga:
- Agora não tens tempo para sair, para um cinema... em função deste TCC, desta UFRGS, o que farás com tanto tempo sobrando a partir de janeiro?
Acredito que vou sentir muuuuuuuuuita falta desta correria toda, mas aprendi com o PEAD, uma coisa fundamental: o professor é um pesquisador por natureza. Então... está respondido: continuarei em busca de novas aprendizagens.


domingo, 7 de novembro de 2010

Resultado do PEAD

Estranho afirmar que a pressão exercida pela Bea e Íris, para que fôssemos atrás de respostas para nossas dúvidas continuasse a surtir efeito. Hoje, elaborando meu TCC, uma dificuldade, uma não muitas, mas uma em específico me incomodou muito. Depois de muito escrever, resolvi parar um pouco, mesmo porque não sei se estava no caminho correto, precisarei do aval de meus orientadores para continuar nminha maratona. Mas, retornando... resolvi formatar o que já havia escrito! My God! Notas de rodapé... que absurdo! Primeira tentativa, tudo o que eu escrevia em uma página aparecia em todas. Segunda tentativa, terceira... décima, sei lá quantas. Parei, respirei e lembrei do São You Tube! Pois não é que encontrei, é um vídeo aula muuuuuuuito bom.
Parece bobagem, mas fiquei muito feliz por ter conseguido.
É a alegria da conquista, de ter ido em busca da resolução de um problema. Tenho certeza que não esquecerei mais de como utilizar o rodapé ao construir um texto no word. Sei também que se alguém estivesse a meu lado, dizendo clica aqui, seleciona, escreve ou se eu tivesse permitido que outra pessoa fizesse por mim, não teria havido aprendizagem.
Aprendizagem é construída!

domingo, 31 de outubro de 2010

Em postagem realizada em março do ano passado, é possível perceber a minha empolgação com a interdisciplina Questões Étnico-raciais na Educação, História e Sociologia. Explico: sempre me incomodou muito atitudes discriminatórias e preconceituosas, aquelas que eu presenciava na escola, muito mais ainda. Apesar de desenvolver um trabalho efetivo nesta área, ainda me faltava material a respeito e teoria. Na época contava somente com uma colega, a professora Carmem Aurora, participante de movimentos negros e militante convicta das causas raciais. Só que isso já não mais me bastava, eu sentia necessidade de caminhar com minhas próprias pernas nesta área, discutir com propriedade, mas me faltava segurança. A professora Marilene Paré foi importantíssima, não me trouxe apenas o embasamento que eu precisava, mas me passou entusiasmo.
Depois da publicação que me referi no início desta muita coisa já aconteceu: eu e a profª. Carmem fomos responsáveis por uma reunião de unidocência, onde pudemos levar materiais e discutir a lei Nº10.639, sobre a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Africana. Além disto o Continente africano está sendo trabalhado em sala de aula meeeeeeeeeesmo, pela grande maioria de minhas colegas das séries iniciais do Ensino Fundamental.
Estou feliz com tudo isso.

Dia histórico!

Como mulher, como educadora, como brasileira, não poderia deixar de registrar esta data histórica: 31 de outubro de 2010, foi eleita Dilma, a primeira mulher presidente do Brasil!
Estamos em uma democracia!

domingo, 24 de outubro de 2010

As coisas mudam!

Pois é, em 31 de outubro de 2008 fiz uma postagem aqui, no blog, sobre a escola pública. Nela fica clara minha insatisfação. Lendo-a agora, lembro perfeitamente a angústia que a atividade proposta pela professora Maria Beatriz me provocou, pois minha escola passava por uma situação de descaso total onde depredações e pichações eram casos rotineiros. As ideias que eu levava do PEAD, eram muito bem recebidas... pela supervisora, mas nem tudo dependia dela somente. Aquilo que referia-se a gastos das verbas recebidas, era barrado pela direção.
Para traçar um paralelo fui procurar, no arquivo, uma postagem com o mesmo assunto, porém mais recente. Encontrei! Nesta publicação minha felicidade é evidente, o Laboratório de Informática na minha escola é realidade. E então uma pergunta: se a administração pública continua a mesma, a verba recebida também, de onde surgiram as condições para que o sonho de uma sala informatizada fosse concretizado?
A resposta: a professora que ocupava o cargo de diretora aposentou-se. Foi realizada nova eleição em 2009 e desta forma assumiu a direção uma profissional que sabe que os tempos mudaram e que é preciso apostar na tecnologia, que é necessário utilizar os recursos que se tem em benefício da comunidade escolar e quando estes são escassos é preciso buscar parcerias. A s mudanças são evidentes: muros foram construídos, a escola foi pintada, câmeras instaladas, enfim houve investimento na segurança. Se a escola está segura a preocupação com arrombamentos, furtos e depredações do patrimônio público diminuiu, desta forma foram realizados investimentos em equipamentos tecnológicos, com a tranquilidade de que serão preservados. Ainda não temos um profissional responsável pelos laboratórios de informática, acumulei esta função, assim como a de coordenadora do jornal on line da escola. Mas tenho duas turmas de quarta série e elas são minhas prioridades. Mesmo assim tenho feito o possível, e o impossível também, para auxiliar e incentivar meus colegas a usarem os LIs. Acredito que no próximo ano, sem a preocupação com o TCC, poderei me dedicar um pouco mais a esta função.

Que maravilha!

domingo, 17 de outubro de 2010

Isto é INCLUSÃO?

Por exigência da interdisciplina do Seminário IX e necessidade de reler o material sobre "inclusão" para elaborar meu TCC, encontrei esta postagem sobre o assunto. No início deste ano letivo, em reuniões de professores, a equipe diretiva da escola nos brindou com uma avalanche de informações sobre as possibilidades de recebermos alunos com necessidades especiais em nossas turmas.
E onde está a novidade?
Sou professora há mais de 20 anos, em minhas turmas sempre tive um ou outro aluno "dito especial". A diferença que percebo no decorrer desses anos é que agora foram rotulados: são alunos de inclusão. Não, não é assim tão simples. Para serem considerados de inclusão, é preciso que tenham um laudo médico. Ou seja, aquela criança cujos familiares se neguem a ir procurar auxílio especializado e, desta forma, não tenham um papel afirmando que é portador de alguma síndrome ou algo que dificulte sua aprendizagem, mesmo que seu problema seja evidente, não é considerado de inclusão.
Até aí... nenhuma novidade!
Mas, prosseguindo...
Quanto ao aluno que vem com o tal laudo, carimbado, atestado? Pois é! Se tiver muita sorte, conseguirá uma vaga no turno inverso ao que está matriculado em classe normal, para atendimento em outra escola, duas vezes por semana. Neste momento fará atividades de acordo com suas necessidades: recorte, colagem, produções de palavras e frases... É claro que a família precisa ser consciente das necessidades da criança e possa dispor de alguém que o leve até o local, que batalhe para conseguir transporte gratuito, porque não basta boa vontade, este é um valor que pesa no orçamento doméstico.
Ah, esse aluno recebe o direito de ser, automaticamente, promovido para a série seguinte.
Os outros, aqueles sem o atestado confirmando ser especial, engrossarão as estatísticas de reprovação e evasão escolar.
E cá entre nós, são estes a maioria.



terça-feira, 12 de outubro de 2010

Memórias...

[...]
"Meninas e meninos negros e mestiços sempre ouvem as mesmas histórias na
escola: a de que suas origens estão ligadas à profunda e sangrenta marca da
escravidão. E só. Como se seus ancestrais estivessem desde o início dos tempos
mergulhados neste determinismo atávico e não que tivessem vivido determinada circunstância histórica que os arrancou de seus espaços de origem arremessando-os
numa nova terra e numa nova condição de vida.
E que, a despeito de todos os

horrores impostos pela escravidão, resistiram, especialmente por terem registrado na
memória suas tradições orais - elementos centrais em seus sentidos de pertencer herdados
das origens africanas - e manifestado nas práticas de busca da liberdade suas
raízes ancestrais."
Carmem Rangel

Por uma necessidade, a de cumprir as atividades do Seminário Integrador IX, me deparei com o texto da Carmem Rangel que estava procurando para me auxiliar no TCC.
Que bela surpresa!
No eixo IV, havia salvado-o em meu pc pois este é um tema que sempre me preocupou muito. Acontece que meu pc estragou e perdi tudo o que nele havia. No início de meu estágio procurei-o na interdisciplina de Questões étnico-raciais... pois é, aqui está ele.
Sempre tive uma preocupação enorme ao tratar sobre a escravidão no Brasil, tinha receio de que meus alunos sentissem-se menosprezados ou se percebessem inferiorizados. Também tinha dificuldades em falar sobre as questões raciais, falava muito que todos somos iguais... Somos? Estranho lembrar disso agora, porque até este momento parecia-me que sempre pensei como hoje eu penso, que sempre tive tranquilidade para falar do assunto em sala de aula. Um tempo atrás achei horrível ouvir de uma colega que é complicado trabalhar com este assunto em sala de aula, lembro de ter pensado: "Santa ignorância"!
Que tristezinha! Se até há poucos semestres atrás eu pensava exatamente assim...
Iniciei meu estágio com o propósito de fazer com que meus alunos se sentissem valorizados, que conhecessem suas histórias pessoais, que percebessem que cada um de seus antepassados havia dado uma contribuição importante para a construção de nossa história. E os resultados não poderiam ter sido melhores.
Minha fala hoje não é a mesma. Faço questão de dizer que ninguém é igual a ninguém, não somos iguais de jeito algum. A igualdade é a de DIREITOS!
Quanto ao triste capítulo da história do nosso Brasil, a escravidão, tenho tratado com muita naturalidade. Utilizei, no estágio, um livro chamado De onde viemos? de Liliana e Michele Iacocca, que relata a história da miscigenação brasileira de uma forma bonita, tranquila e verdadeira. Quando o assunto a ser estudado é a escravidão, recorro a acontecimentos atuais relatados seguidamente nos meios de comunicação sobre o trabalho escravo em muitos locais do país, independente de cor de pele.
Carmem Rangel, autora do texto "Distendendo memórias, redescobrindo sentidos, reescrevendo identidades negras/mestiças" e a profª Maria Aparecida Bergamaschi, da interdisciplina de Representação do mundo pelos Estudos Sociais, podem ter certeza que as sementes lançadas germinaram.
Além disso, penso que gostariam de saber que o trabalho aprendido no PEAD e aplicado em sala de aula foi elogiado por familiares de meus alunos. Relatei este fato no wiki do estágio:

"Esta semana recebi a visita da mãe de uma aluninha. Ela veio me fazer um pedido e um agradecimento: queria que eu falasse com alguns alunos meus, colegas de sua filha, que teimavam em colocar apelidos pejorativos em relação a sua raça. Disse que veio conversar comigo porque está encantada com o trabalho que estou propondo neste sentido e que é a primeira vez que vê as questões raciais tratadas com tanto respeito na escola, sendo assim sabia que eu não estava a par do que estava acontecendo fora da sala de aula.. "

Apesar do cansaço, das preocupações com o TCC, com as eletivas, escola... a atividade com o blog está sendo uma grande auxiliar. Tanto para dar-me subsídios para a elaboração do meu trabalho como para me trazer lembranças muito boas de momentos únicos que passei no PEAD.